Sistema de abastecimento de água para indígenas pode custar R$ 7,67 milhões em Antônio João
Indígenas da Terra Ñande Ru Marangatu enfrentam dificuldades para conseguir água em meio a fornecimento precário.
Levantamento técnico indicou que serão necessários R$ 7,67 milhões (R$ 7.674.300,00) para implantar sistemas de abastecimento de água potável para as 11 aldeias indígenas da Terra Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, município a 300 km de Campo Grande. O documento foi elaborado pela Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), vinculada ao Ministério da Saúde.
Comunidades da Terra Ñande Ru Marangatu enfrentam a falta de abastecimento regular de água. O fornecimento é feito de forma precária por meio de caminhão-pipa e armazenamento em reservatórios improvisados com capacidade média de 500 litros. Somente a Aldeia Campestre, entre as 11 comunidades, possui sistema estruturado de abastecimento de água.
A estimativa é de que 1.218 pessoas morem na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, conforme dados da plataforma Terras Indígenas no Brasil. A área da TI é de 9.317 hectares. Além da falta de abastecimento de água, a região já foi alvo de conflitos entre indígenas e fazendeiros, resultando na morte do indígena Neri da Silva, aos 23 anos, em 2024.
O estudo do Governo Federal indica dificuldades na logística de abastecimento na região, como a grande extensão territorial das áreas e a baixa densidade populacional. O cenário dificultaria a elaboração de projetos individualizados e a manutenção do fornecimento contínuo por meio de caminhão-pipa, especialmente em razão das condições de acesso e da topografia local.
O projeto dos sistemas completos de abastecimento para cada aldeia prevê a perfuração de poços, instalação de reservatórios com capacidade entre 10 e 80 metros cúbicos, sistemas de tratamento de água e redes de distribuição com ligações domiciliares.
O estudo técnico foi encaminhado ao deputado federal Geraldo Resende (PSDB), que visitou a região na última segunda-feira (16). A área visitada abrange as aldeias Casa Branca, Cedro, Estrelinha, Fronteira, Itaquiraí, Piquiri, Primavera II, Soberania, Cerro Marangatu, Campestre e Bananal.
O deputado federal buscou recursos para viabilizar os projetos nas comunidades indígenas junto ao diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri. Uma reunião com o escritório executivo da Itaipu Binacional em Brasília aconteceu em 24 de fevereiro.
A visita em Antônio João contou com a presença de representantes da Itaipu Binacional e do Dsei-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), incluindo o gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena, Paulo Porto, e João Ferraz, além do coordenador substituto do Dsei-MS, Genilson Duarte, do engenheiro civil Rafael Ceccim e de Marcos Alves, da chefia do Sesani (Seção de Saneamento Ambiental).
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