Soltos, presos e foragido: o paradeiro dos suspeitos em esquema de R$ 27 milhões que usou saúde de MS como moeda de troca
Operação do Ministério Público prendeu 15 pessoas suspeitas de movimentarem o montante milionário por meio de contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul. Vagas em hospitais e cirurgias eram usadas como 'moedas de troca' na compra de livros da Editora Avante.
Dez dias após a deflagração da Operação Gutenberg, que revelou um suposto esquema de corrupção investigado por movimentar R$ 27 milhões, 12 dos 16 alvos de mandados de prisão continuam presos. Três investigados estão em liberdade e um permanece foragido.
Segundo o Ministério Público, vagas em hospitais e a realização de cirurgias eram condicionadas à compra de livros da Editora Avante. Conforme a investigação, os suspeitos usavam regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul para pressionar prefeitos a comprar livros da empresa investigada. A operação indicou que acesso aos serviços de saúde era usado como "moeda de troca" nas negociações.
RELEMBRE - Durante a operação realizada na terça-feira em 7 de julho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 15 pessoas foram presas em Campo Grande, Dourados e em uma cidade de Goiás. Um investigado continua foragido. Os agentes também apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e cheques já preenchidos.
Presos, soltos e foragido
Heyder Bartz é o único foragido entre os alvos de mandados de prisão. — Foto: Redes sociais/Reprodução
FORAGIDO - Heyder Bartz
Ele é o único entre os alvos de mandado de prisão que está foragido. Heyder Bartz é apontado pelo Gaeco como um dos chefes da suposta organização. Segundo o Ministério Público, ele integrava, ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos, o núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante.
Proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital, Heyder é descrito pelos investigadores como responsável pela gestão estratégica do grupo, incluindo a definição de pagamentos e a divisão dos valores obtidos com o esquema.
- O Ministério Público afirma que a atuação de Heyder e de Anizio foi decisiva para todo o esquema criminoso" A investigação aponta que a participação direta de Heyder aparece em mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados.
A defesa Heyder Bartz esclarece que, "até o presente momento, não teve acesso formal à decisão que supostamente determinou a expedição do mandado de prisão, razão pela qual não foi possível tomar ciência de seus exatos fundamentos. Contudo, ressalta-se que a defesa já estabeleceu contato voluntário com os agentes e autoridades responsáveis pela condução do caso, colocando o cliente integralmente à disposição da Justica para cooperar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários, sendo informados que eventual intimação chegaria posteriormente em outro momento".
SOLTOS - Jessyca, Joatan e Geancarlo
Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, foi a primeira investigada a deixar a prisão. Em 11 de julho, a Justiça substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar após a defesa alegar que ela é lactante. Segundo o MPMS, parte dos valores ligados ao suposto esquema teria sido repassada ao pai dela por meio de pessoas próximas, entre elas a própria Jessyca;
Joatan Gomes Peixoto deixou a prisão nessa quinta-feira (16), com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A medida cautelar valerá por, no mínimo, 180 dias. Conforme a defesa, representada pelo advogado André Stuart, a decisão considerou a necessidade de cuidados com a família do investigado.
Geancarlo Leal de Freitas. O servidor público foi solto pela Justiça nesta sexta-feira (17). Ao g1, o advogado dele, Thiago Bunning, afirmou que os fatos foram esclarecidos, comprovando que o cliente não teve participação em nenhum crime investigado. “Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados (MS). O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares, não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado. Não conhece nenhum dos investigados e nem as empresas investigadas”, disse a defesa por meio de nota.
PRESOS - Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni, Rhayane, Eronivaldo, Ed Carlo, Francisco, Matheus, Douglas e Gabriel
- Rossana Paroschi Jafar, empresária;
- Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana;
- Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana;
- Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana;
- Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
- Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;
- Francisco Anizio dos Santos;
- Matheus Oliveira Peixoto;
- Paulo Rogério de Melo, empresário;
- Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;
- Gabriel Taquino de Paula.
A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula e Matheus Oliveira Peixoto disse que ainda não teve acesso aos autos. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni e Rhayane. As defesas de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo não se manifestaram.
G1











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