Frigoríficos de MS dão férias coletivas e reduzem abate de carne bovina após Brasil atingir 80% de cota da China

A China já consumiu 80% da cota de importação de carne bovina brasileira para 2026. Em Mato Grosso do Sul, três frigoríficos deram férias coletivas e dois reduziram os abates para evitar a sobretaxa de 67% sobre as exportações.

Frigoríficos de MS dão férias coletivas e reduzem abate de carne bovina após Brasil atingir 80% de cota da China
MAPA suspendeu a autorização do frigorífico da JBS em Campo Grande para exportar para os EUA — Foto: Reprodução/TV Morena

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul anunciaram, nesta sexta-feira (24), férias coletivas e redução no abate de bovinos após o Brasil atingir 80% da cota estipulada pela China para 2026. A informação foi confirmada ao  G1 pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems).

Segundo o presidente do sindicato, Régis Comarella, as férias coletivas e redução do ritmo de abates são estratégias adotadas pelos frigoríficos para tentar minimizar os impactos da sobretaxa. Segundo o representante do setor, novos embarques foram interrompidos a partir de julho.

O governo chinês informou na terça-feira (21) que as exportações brasileiras de carne bovina já haviam atingido 80% da cota de 1,1 milhão de tonelada estabelecida para 2026 dentro do mecanismo de salvaguarda. Na prática, esse limite funciona como um teto: se o Brasil ultrapassar esse volume, a carne exportada acima da cota passará a pagar uma tarifa adicional de 55% a partir do terceiro dia após o excesso.

As salvaguardas são mecanismos previstos nas regras do comércio internacional que permitem a um país impor tarifas extras temporárias quando considera que o aumento das importações pode prejudicar sua produção interna.

A China é o principal cliente da carne brasileira e comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025. O país também é o principal comprador da carne sul-mato-grossense. Conforme dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), a China foi responsável por 39% das exportações do produto no estado no primeiro semestre deste ano

G1