Empresa investigada por fraude vai construir ponte por valor milionário em Bela Vista

Empresa teria participação em esquema de conluio para fraudar licitações, revelado pela Operação Laços Ocultos

Empresa investigada por fraude vai construir ponte por valor milionário em Bela Vista
Prédio da Prefeitura de Bela Vista. (Reprodução, PBV)

A empresa Águia Construtora (CNPJ: 07.725.339/0001-02) venceu uma licitação milionária para construir uma ponte de concreto em Bela Vista, por R$ 1,4 milhão. Extrato do resultado do certame consta em Diário Oficial.

A Águia é investigada no âmbito da Operação Laços Ocultos, de 2023, que mirou contratos da Prefeitura de Amambai, por suspeita de conluio para simular competitividade em certames do Executivo. O esquema seria encabeçado pelo ex-vice-prefeito — e ex-vereador — Valter Brito da Silva (PSDB).

Além da Águia, denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) traz outras 12 empresas que teriam participação no esquema. A organização fraudava principalmente Carta Convite, alternando os vencedores conforme interesse do líder.


Agora, a empresa Águia Construtora vai construir uma ponte de concreto armado sobre o Rio Piripucu, em estrada vicinal de Bela Vista. O aviso de resultado foi publicado no dia 4 de maio no DOU (Diário Oficial da União).

O custo total da obra será de R$ 1.447.135,65. A estrutura deve ter 20 metros de extensão por seis de largura. No estudo que embasou a licitação, a prefeitura apontou que a ponte de madeira está em “avançado estado de degradação natural. Tal estrutura apresenta limitações quanto à capacidade de carga, durabilidade e segurança”.

O que diz a Prefeitura de Bela Vista?
O Jornal Midiamax questionou a Prefeitura de Bela Vista, que mantém o andamento da licitação, e afirma que todos os procedimentos licitatórios seguem os princípios constitucionais.

“Os certames são conduzidos em conformidade com a Lei Federal nº 14.133/2021, garantindo a participação de qualquer empresa que atenda às exigências legais e editalícias estabelecidas no processo licitatório. O Município ressalta que eventuais investigações ou denúncias em tramitação na esfera judicial não produzem, por si só, impedimento automático à participação de empresas em licitações públicas”, diz nota enviada à reportagem.

A prefeitura ressalta que, para que haja restrição legal à participação ou contratação, é indispensável a existência de sanção administrativa, decisão judicial ou registro oficial restritivo com efeitos válidos.

“[…] antes de eventual formalização contratual, o Município realiza todas as consultas e verificações complementares previstas na legislação vigente, incluindo consulta ao Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), Cadastro Nacional de Empresas Punidas (CNEP), certidões negativas e demais mecanismos legais de controle”, explica.

Propina
Conforme os autos da denúncia, protocolada em 2023, as provas reunidas — interceptações telefônicas, mensagens, documentos apreendidos e movimentações financeiras — evidenciaram que tais empresas eram controladas pelo núcleo político e empresarial de Valter, com divisão de tarefas e pagamento de vantagens indevidas.

A empresária Luciana Pereira Adorno Vicentin, sócia da Águia, aparece entre o rol de 17 réus da denúncia do MPMS. A denúncia aponta que, em setembro de 2019, ela teria pago — em duas operações bancárias — R$ 73,6 mil a título de propina a Valter.

Outro ponto levantado pela investigação foi a troca de mensagens entre Mauricio Sartoretto Martinez, que era engenheiro civil na Prefeitura de Amambai, e Valter Brito. O profissional encaminhou orçamentos referentes às empresas JFL Construtora (CNPJ 32.475.769/0001-52) e Águia Construtora.

Licitações
Segundo consta no Portal da Transparência do Município, a Águia, no período anterior às eleições de 2020, possuiu apenas dois contratos firmados com o Executivo Municipal, em 2013 e 2015.

Mas, em 2021, no pós-pleito, a construtora firmou sete contratos com o município, sendo alguns conduzidos na modalidade de dispensa de licitação ou ‘convite’. Em quase todos os contratos firmados pela empresa, a JFL — ligada a Valter — aparece como proponente nos certames. 

midiamax