Político há 32 anos, Zé eleva fortuna em 1.905% e é o mais rico de MS com R$ 64 milhões
Um dos políticos mais ricos de Mato Grosso do Sul, com patrimônio declarado de R$ 64,2 milhões, deputado estadual José Roberto Teixeira (PL), 86 anos, vai tentar o 9º mandato consecutivo na Assembleia Legislativa e construiu praticamente toda a fortuna na política. Em duas décadas, o patrimônio do parlamentar teve aumento de 1.905%, já que era de R$ 3,2 milhões em 2006.
Nos últimos quatro anos, a fortuna do ex-tucano teve aumento de 38%, o dobro da inflação oficial de 19,7% registrada no mesmo período, e passou de R$ 46,3 milhões para R$ 64,2 milhões. O acréscimo de R$ 17,8 milhões acumulado em quatro anos supera a fortuna total do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), que declarou R$ 16,1 milhões.
A fortuna foi construída praticamente toda após o início da carreira política, que começou há 32 anos, em 1994, quando ele se elegeu deputado estadual pela primeira com 13.303 votos ainda no PFL. Não existem dados disponíveis sobre o patrimônio do liberal antes de disputar a primeira eleição.
Natural de Guanambi, uma cidadã da Bahia com 93 mil habitantes, José Roberto Teixeira chegou a Dourados em 1962. Ele começou a trabalhar como corretor de gado e negociou o rebanho com grandes produtores rurais, como Jacinto Honório da Silva, Antônio Moraes dos Santos e José Tavares.
Até ingressar na política, ele foi gerente ou diretor de compras de frigoríficos. Ele ingressou na Assembleia Legislativa em 1994 e não saiu mais. Em 2006, Zé Teixeira declarou patrimônio de R$ 3,2 milhões. A cada pleito, ele aumentava o número de votos, até bater recorde com 41.991 eleitores em 2010, quando declarou possuir patrimônio de R$ 5,1 milhões.
Quatro anos depois, em 2014, Zé Teixeira triplicou a fortuna, R$ 14,4 milhões. No entanto, apesar de ter sido eleito para o 5º mandato de deputado estadual, houve redução 23% no número de votos, para 32.069.
Operação Vostok foi um susto com Polícia Federal na porta de hotel e prisão de cinco dias (Foto: Arquivo)
Operação Vostok
Na Assembleia Legislativa, o parlamentar deixou de integrar o baixo clero e foi eleito pela primeira vez primeiro secretário, responsável pelo cofre do legislativo em 2015. Passados quatro anos, em 2018, Zé Teixeira registrou o menor crescimento no patrimônio, de apenas 10%, para R$ 15,9 milhões.
No dia 12 de setembro de 2018, o deputado foi alvo da Operação Vostok e chegou a ser preso por determinação do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Passou cinco dias no presídio. Ele foi acusado de emitir duas notas fiscais no valor de R$ 1,6 milhão para a JBS justificar o pagamento de propina para o ex-governador Reinaldo Azambuja. A Polícia Federal concluiu que não houve a entrega de gado.
O deputado perdeu 4% do eleitorado, com o número de votos caindo de 32.069, em 2014, para 30.788 em 2018. Apesar do susto e do vexame, Zé Teixeira foi reeleito para o 7º mandato de deputado estadual. Na eleição seguinte, ele recuperou-se de vez, com 38.329 votos em 2022, quase próximo do recorde pessoal obtido em 2010.
Ele continuou como comandante da 1ª Secretaria da Assembleia Legislativa por mais quatro anos. Neste período, entre 2018 e 2022, a fortuna de Zé Teixeira praticamente triplicou e deu salto de 191%, de R$ 15,9 milhões para R$ 46,3 milhões.
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